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terça-feira, 19 de abril de 2011

As Galinhas da ANAC

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Hoje, deparei-me com uma reportagem bizarra da Folha de São Paulo: "Aeromoça tem que matar galinha e rastejar na lama". Nela, descrevem um estranho curso (exigido pela ANAC) para comissários de bordo em que, dentre demais humilhações, obrigam-nos a matar galinhas.

Pra quem não sabe, a ANAC - Agência Nacional de Aviação Civil (assim como outras agências ditas "regulatórias"), nada mais é do que um cabidão de emprego de incompetentes apadrinhados políticos. E, claro, como as outras agências (ANATEL e afins), eles defendem, no fundo, o direito das empresas, e não dos clientes. Tenta fazer uma reclamação nessas agências e, depois, me conta o desfecho do caso.

Imagino a cena: algum burrocrata, sentado com o bundão na cadeira, jogando paciência e campo minado no PC, aparece com a seguinte ideia: "Ah, vamos exigir um curso de 3 mil reais nos moldes do treinamento do Braddock" - Sim, o curso custa 3 MIL, e o aluno é quem paga.

Tudo bem que uma aeronave pode passar por problemas mais sérios, fazer um pouso de emergência, e a equipe aérea deve estar preparada... mas não creio ser necessário fazer um treinamento em que se torture e mate um animal, apenas pelo fato do sadismo em si, ou para se fazer parecer chocante ao aluno. Ideia cretina de um burrocrata cretino em uma agência cretina. É coisa de gente querendo aparecer e mostrar serviço.

Imagino a seguinte cena:

Piloto: Senhoras e senhores, aqui fala o capitão. Estamos caindo, mas não se preocupem, pois vou procurar aterrisar o avião numa granja ou fazenda. É que aprendemos a matar galinhas em nosso treinamento.

Comissário chefe: Boa tarde, senhores passageiros. Se alguém tiver um forno de micro-ondas na bagagem por favor, queira nos emprestar. É que galinha crua é muito ruim.

Imagino que, depois desta, poderiam mudar o significado de ANAC para "Agência Nacional dos Acéfalos Cretinoides".

Tudo bem ser incompetente (eu também sou, e orgulho-me disso), mas não fodamos com a vida de outros seres vivos por causa de nossa incompetência.

- Darini

terça-feira, 15 de junho de 2010

A Triste História de Seu Mané

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Manoel Brasil era um homem comum. Comum até demais. Pobre, vivia fazendo um bico aqui, um bico ali, um trabalhinho extra por indicação... e, assim, ia levando a vida.

Seu Mané, como era conhecido pelas redondezas, não teve chances de estudo. Pelo ofício, até que sabia fazer as operações básicas com certas perspicácia. Lia palavras soltas no ar e escrevia nomes de materiais de construção. Claro, assinava o nome.

Seu Mané não era má pessoa; havia sido preso algumas vezes, mas por conta do atraso no pagamento da pensão de suas 3 ex-esposas. Tinha 9 filhos. Às vezes, conseguia um benefício do governo, mas acabava gastando com farra e cachaça.

Vivia na casa de amigos e parentes até quando era suportado (e, possivelmente, expulso). "Cristão", como se autodenominava, tinha fé de que as coisas melhorariam. "Um dia, Jesus vai melhorar minha vida", dizia.

Adorava ser parte da histeria coletiva em épocas de copa do mundo. Tinha uma leve ideia do que significava "coletiva", não sabia de forma nenhuma o que era "histeria", mas pouco importava. O importante era o Brasil ser campeão do mundo. "Meu país tá no meu nome!" - vangloriava-se. Tocava buzina, soltava rojão, bebia, gritava e chorava com os amigos no boteco. Ajudava na vaquinha pra pintar a rua e comprar bandeirolas. "A pensão das crianças pode esperar." - pensava.

Sentia-se vitorioso, vendo seu time fazer gols. Era como se fosse sua vitória. A única de sua vida. Nada mais importava em seu mundinho, a não ser os lances e resultados vomitados pelo narrador. Às vezes, no meio do programa esportivo, vinha um daqueles caras do jornal da noite, dizendo coisas do tipo: "Crise na Europa causa fuga de capitais do mercado financeiro" ou "Recessão no Japão causa quedas na exportação", mas... nem queria saber o que isso queria dizer.

"Nóis vai ser campeão do mundo, isso que importa!" - gritava e torcia.

Seu Mané ficou entusiasmado. O governo de seu país, mais ainda! O que mais importa para um dirigente é um bando de seres alienados e anestesiados por uma causa inútil. "Panis et circensis" do século XXI. Os césares morreriam de inveja.

Entretanto, para complicar ainda mais a vida de Seu Mané, o Brasil perdeu a copa naquele ano. Sua única chance de felicidade havia ido por água abaixo. Patriota que era, pegou sua bandeira do Brasil e, irritado, rasgou-a em mil pedaços. Com o tanto de tinta que sobrara da pintura da rua, foi destruir a bandeira que lá repousava eternamente.

"Meu país tá no meu nome. Vergonha!" - dizia.

Na entrevista dos jogadores, viu desculpas, sorrisos amarelos e fotos com o presidente. Em seguida, lembrou da propaganda que dizia "Sou brasileiro e não desisto nunca". Foi a deixa para Seu Mané, que voltou a pensar e torcer pelo campeonato, na copa dali a quatro anos.

Seu Mané, o brasileiro.

- Darini

quarta-feira, 2 de junho de 2010

A ti, locadora...

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Locadora, Locadora...
a louca dor, a que por ti sinto
é mais cruel do que broxada do pinto!

Era todo dia, lembro, um sacrilégio
E os estudos? Ah... foda-se o colégio
Ver os novos lançamentos, um privilégio
Ficar de próximo no Street...
ah, que ambiente egrégio!

O Ninja Verde? Como habilita?
Tentar o código é o mais lógico
Claro, isso muito irrita
Mas vejam! Sou abençoado!
Explicam tudo no detonado!

Locadora, locadora
A louca dor, a com que padeço
Me faz lembrar as divisórias de gesso
Um novo acessório... um adereço
O pai do playboyzinho compra. Foda-se o preço!

Locadora, locadora
O filhinho e a mãe emperuada
Pra 4 dias? Aproveita, aluga de baciada
Só não vale lançamento, amigão
São 24 horas pra devolução!

- Darini

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A bela crônica do amor

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Acho ridículo esse sistema social de procriação que inventaram... criaram-se regras que vão totalmente contra a biologia humana. Acreditem: o macho é APENAS o procriador; a fêmea, apenas sua "protegida", enquanto a prole não se desenvolve. Acabaria por aí! Finitus est, C'est fini, The End, Já era, Bau-bau, È finito, Das Ende...

Mas nããããããooo... esta sociedadezinha cretina (que começa lá pelo paterfamilias - ou antes!) inventou algo bem prático: para procriar, você precisa arrumar alguém do sexo oposto e viver a vida toda com ele/a. Se não conseguir, tudo bem, mas arque com os custos da prole até os 18 ou final da faculdade (principalmente se você for otário do "macho").

Para que isso desse certo, inventaram algo mais prático ainda: o tal do "amor", que nada mais é do que o tesão, a vontade pura da já mencionada PROCRIAÇÃO.

"Então, por que o amor não acaba depois da procriação?" - você pergunta.

Pura convenção social (status, necessidade, interesse, autoafirmação etc). Enquanto houver o tesão, haverá "amor". Quando este acabar, aí já é tarde demais (salvo raras exceções) para tentar algo novo / diferente.

Tesão "floreado" = amor.

- Darini

sábado, 26 de setembro de 2009

Uma Nova Literatura?

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Basta um rápido passeio em qualquer livraria, e podemos notar: atualmente, existe uma incrível diversidade literária disponível aos leitores. Todos os gostos parecem estar refletidos nas intermináveis prateleiras, muitas delas com títulos a preços promocionais do tipo "só não leva quem não quer".

Entretanto, se pensarmos nos temas dessas obras, teremos meia-dúzia de categorias em que podemos inseri-las:

- Autoajuda: é, provavelmente, o câncer literário dos dias atuais. Porta sempre o mesmo discurso genérico e vazio ("Siga em frente!", "Busque seu sonho!", "Não desanime!" etc). Geralmente, o autor do livro de autoajuda é aquele camarada que vai na sua empresa fazer aquela meia-dúzia de dinâmicas estranhas, fala o que você quer ouvir, faz o comercial dele e pronto. No dia seguinte, você percebe que nada do que ele disse é tão prático como se imaginava.

- Manuais: É manual para ser um bom pai, para ser uma boa mãe, para ser um bom empregado, para ser um bom chefe, para ser um bom irmão, para se conformar com a vida, com o marido, com a briga de trânsito, com o chifre... tudo é colocado de uma maneira que faz com que pensemos serem todas as situações iguais. Você não é ninguém sem ler um desses, será um ser-humano melhor se ler um desses (faz-me rir...).

- Leituras corporativas em geral: poderiam até ser enquadradas na categoria "Manuais", mas conseguem disfarçar e se distinguir desta. Coisas como "relacionamento humano nas organizações", "dinâmicas de grupo" e afins são abordados aqui. Aliás, o que está acontecendo com as terminologias? Empresa virou "organização", empregado virou "associado" ou "colaborador"; "caso" anglicizou-se e virou "case"...

- Animais: Na onda de "Marley & eu", encontramos uma avalanche de livros sobre animais e seu relacionamento com os donos. Coisas do tipo: "Meu cachorro e eu", "Minha coruja e eu", "Meu papagaio e eu", "Minha sogra e eu", "Minha perereca e eu" são obras comuns nas prateleiras. Certamente, seu animal preferido já está protagonizando algum romance; se ainda não estiver, é tudo uma questão de tempo.

- II Guerra Mundial: Outras dúzias de títulos do tipo "A Biblioteca Secreta de Hitler", "A Cozinha Maravilhosa de Mussolini", "Como matar um duce" e outros. Nesse caso, podemos considerar o tema "Sociedades Secretas" como uma subcategoria (ou esta daquela, vai saber).

- Romances religiosos em geral: Também há uma infinidade, do tipo "Jesus, Da Vinci e Dan Brown: O Enigma da Brown GP", "Os filhos de Maria Madalena (ditado pelo Anjo Gabriel), "O ateu reencarnado" etc.

Embora eu esteja tentando ser irônico nesta postagem, o que procuro questionar é: esse tipo de literatura realmente leva o leitor a refletir, a pensar, a analisar o meio e mundo onde vive? Faz o cara raciocinar? Sim, eu sei que pode haver um pouco de entretenimento nas artes da escrita, mas parece que estamos pendendo totalmente para o lado da alienação. De que me adianta saber sobre "O dia-a-dia dos 100 maiores empreendedores do mundo", se são pessoas diferentes, que viveram situações diferentes? Quando o recém-nascido chorar, os pais de primeira viagem terão de ver no manual como proceder? E se não estiver lá?

Sempre achei que a Literatura fosse "a História contada pelas palavras da Arte". História, aqui, é a disciplina mesmo.

Isso colocado, meu medo é alguém dizer: para uma sociedadezinha tão ordinária como a nossa, esses livros estão de bom tamanho.

Não duvido.

- Darini

domingo, 30 de agosto de 2009

Poderoso Timão "admiti"? Admitia!

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Antes de mais nada, esclareço: a) o erro já foi corrigido (em parte); b) não torço para time nenhum (na verdade, odeio futebol). A foto foi tirada com um celular, por isso a definição não está lá essas coisas.

Ao escrever, devemos prestar atenção na Desinência Verbal do verbo com que trabalhamos, pois algumas podem causar dúvidas e/ou induzir ao erro. Neste caso, o digitador assim deve ter pensado: "se nós admit{imos} e o verbo é admit{ir}, então *ele admit{i} - admiti-se". Por analogia, deve ter pensado nos verbos sair (ele sai), cair (ele cai), mas se esqueceu do dormir (ele dorme). Deixou a placa lá por uma semana (ou mais), até que alguém o avisou (provavelmente, um candidato à vaga, que, por sinal, não levou o emprego, pois a nova placa ainda está lá).

Voltando à referência do item a lá em cima, há um fenômeno cujo erro nem mais considera-se como aberração Linguística: a Voz Passiva Sintética, que causa uma confusão considerável em anúncios (principalmente).

Alguns estudiosos dizem que, na cabeça do falante, "Admite-se subgerente e vendedor" não tem nada de Voz Passiva. Ao contrário, essa partícula "se" é o Índice de Indeterminação do Sujeito e o complemento é um Objeto Direto. É até possível perguntar: "Admite-se o quê?" E a resposta: "Subgerente e vendedor".

Entretanto, para a Gramática Normativa (até o momento, a forma oficial), essa estrutura continua sendo considerada a tal da Voz Passiva Sintética. De acordo com essa linha de pensamento, o correto seria "Admitem-se subgerente e vendedor", pois estes dois são o Sujeito Composto da Oração: Subgerente e vendedor são admitidos.

Portanto, em caso de prova, concurso público, elaboração de memorando, cartas comercias e afins, lembre-se: é plural? Use a forma oficial.

- Darini

domingo, 23 de agosto de 2009

Pyongyang - Livro de Guy Delisle

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Mesmo não sendo fã de quadrinhos, surpreendi-me positivamente com um livro chamado "Pyongyang", do canadense Guy Delisle. Nesta obra, cujo título é o nome da capital da Coreia do Norte, o autor relata suas aventuras e experiências nos dois meses em que viveu naquele país. Para isso, mistura humor, crítica e poesia (o final é surpreendente) em relatos que nos fazem viver com ele situações nada ortodoxas no país "mais fechado do mundo".

A forma como são mostrados os "guetos" e lugares frequentados pelos estrangeiros são outro ponto forte da obra, pois mostra como estes acabam vivendo num mundo paralelo àquele dos nativos (e vice-versa). Embora se trate de uma verdadeira descrição da sociedade norte-coreana (sim, com hífen), Delisle não deixa de expor claramente seus pensamentos a respeito do que vê. Diz ele:

"Na verdade, eles vivem num estado de constante paradoxo, onde a verdade é tudo menos imutável."


Diz "constante paradoxo", pois veem e sentem a forma como o governo os trata, mas nada podem fazer; ao contrário, vivem um eterno estado de cegueira utópica, como na parte em que Guy pergunta a seu guia e intérprete o que era aquela imensa construção que avistam durante um passeio a pé e este finge não saber do que se trata. Aquele que seria o mais alto hotel da Ásia, construído em 1988 para acolher os atletas das Olimpíadas de Seul, nunca foi terminado. São 105 andares que passam despercebidos aos norte-coreanos, que parecem não poder vê-lo. Da mesma forma, os maiores sucessos musicais do país são os hinos ao Kim Il-sung e Kim Jong-il, respectivamente o fundador e o herdeiro de sua ditadura proletária.

Em suma, Pyongyang é um livro que merece ser lido, independente da visão política do leitor. Seu enredo é objetivo (destaque para o bom trabalho de tradução feito), ironia e críticas feitas no tom certo, saindo dos lugares-comuns a que somos submetidos, quando nos deparamos com esses temas. Uma bela obra de arte.

- Darini

domingo, 19 de julho de 2009

The Tudors


The Tudors é uma série histórica baseada na vida do rei Henrique VIII da Inglaterra (28 de Junho de 1491 — 28 de Janeiro de 1547), membro dessa dinastia. Produzida por Irlanda e Canadá, mostra os mandos e desmandos do monarca (essa foto é uma ótima metáfora para explicitá-los) e o quão perigoso pode ser o poder, se colocado nas mãos de uma pessoa apenas.

Henrique VIII foi o pai de Elisabeth I (também chamada Isabel) - aquela que, provavelmente, foi a maior monarca britânica. Foi ele que rompeu com a igreja católica, pois esta negava-se a lhe conceder um segundo matrimônio (parte do enredo mostra as tentativas de seu primeiro-ministro e conselheiro, o cardeal Wolsey, em obter autorização papal para o divórcio). Não obtendo sucesso, ele funda a igreja anglicana (Church of England), da qual torna-se líder supremo.

Para saber mais sobre a série: http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Tudors

Sobre Henrique VIII: http://pt.wikipedia.org/wiki/Henrique_VIII

- Darini

segunda-feira, 13 de julho de 2009

A Morte e a Filosofia

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Diz Nietzsche:


"Abstração feita das exigências que a religião impõe, pode-se muito bem perguntar: por que haveria mais glória para um homem que envelheceu, que sente o declínio de suas forças, ficar esperando seu lento esgotamento e sua dissolução do que ele próprio fixar, em plena consciência, um fim? O suicídio é, neste caso, um ato de todo próximo e de todo natural que, enquanto triunfo da razão, deveria, equitativamente, suscitar respeito: e até o suscitou naqueles tempos em que os guias da filosofia grega e os mais corajosos patriotas romanos costumavam morrer por suicídio.

Pelo contrário, é muito menos respeitável a ânsia de se prolongar de dia para dia por meio da inquieta consulta dos médicos e o mais penoso regime de vida, sem forçar para chegar mais perto do próprio termo da vida.

As religiões são ricas em expedientes contra a necessidade do suicídio: é um meio para se insinuar junto daqueles que estão apaixonados pela vida."


Bem dito. Os guerreiros de diferentes culturas se suicidavam por causa "da honra" (como os samurais) ou se entregavam espontâneamente à morte (como amplamente "documentado" pelas literaturas). A entrega espontânea à morte não deixa de ser, de certa forma, um modo distinto de suicício, mas com menos culpa do que aquele em que o executor e o condenado são as mesmas pessoas. Perdi a batalha com meu inimigo? Sem problemas, entrego-me à morte pelas mãos deles. Meu reino foi invadido, saqueado e destruído por forças invasoras? Da mesma forma, deixo deliberadamente que estes invasores façam minha sentença.


O ato de se entregar à morte é mais um gesto de coragem, ao mesmo tempo que traduz o medo da incerteza das consequências vindouras, caso esse ato não tivesse sido tomado. Vale mais, na forma do pensamento heroico, morrer nobremente a ter que passar o resto dos dias humilhado pelas forças dominantes.


O mesmo pode-se dizer do "morrer por uma causa", que não deixa de ser um ato de suicídio. O ato de entregar a vida a essa causa a torna mais digna, mas séria, mesmo que o suicida, obviamente, não esteja mais lá para presenciar se obteve sucesso. Todavia, isso não importa, pois a paixão e a cegueira o dominam, e ele entrega sua própria vida com prazer e orgulho.


- Darini


quinta-feira, 25 de junho de 2009

A culpa é do professor!

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- A culpa é do professor! - diz a indignada mãe.
- Ele é o culpado! - diz a mãe e o juiz.
- Tranquem-nos nos calabouços! - diz a mãe, o juiz e o jornalista.
- A culpa é deles! - gritam os leitores dos jornais.
- Isso tem de mudar. Fiz um projeto de lei... - promove-se o "nobre" deputado, pouco antes da próxima maracutaia.
- Vamos fazer greve! - comemoram os alunos.

Assim, acaba o dia. A mãe vai para casa assistir novela, o juiz vai para um caro restaurante (com carro oficial) comer de graça, pois dá sua carteirada, o jornalista vai fazer o resumão das fofocas semanais sobre celebridades, os leitores vão consumir essas fofocas, os deputados vão fazer suas mazelas e os alunos...

Ah, os alunos... vão continuar culpando o professor...

- Darini

terça-feira, 23 de junho de 2009

Um pedido inesperado...

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ACM: Por favor, traz o Sarney pra cá, tem como, meu rei? Eu me sinto tão sozinho...

Capeta: Não dá! Tá ficando louco? Já falei pra você fazer amizade com o Roberto Marinho.

ACM: Você é que tá doido! Não vou me juntar àquele cara, não!

Capeta: Olha aqui: já tem gente demais querendo mandar nessas profundezas. Não preciso de mais um coronel nesse exército.

ACM: Mas eu divido minhas coisas com ele... juro!

Capeta: Já disse que não! Ainda preciso ver espaço pra um monte de gente que tá na fila de espera: Fidel, Maluf, Bush pai, Bush filho... o Sérgio Naya ficou de me entregar o projeto do puxadinho, mas, até agora, nada!

ACM: Quanto você quer para trazer ele pra cá?

Capeta: Como assim?

ACM: Eu pago o que você quiser pra trazer o Sarney pra cá!

Capeta: HAHAHA! Seu dinheiro não vale nada aqui.

ACM: Hmmm... então, tem como trazer o David Gilmour do Pink Floyd? Ia bem um sonzinho aqui... algo psicodélico...

Capeta: Não dá. Ele é ateu. Ateus não vêm pro inferno.

ACM: Não? Pra onde vão?

Capeta: Pro paraíso.

ACM: O quê? Não tem algo de errado com isso? Eu sempre acreditei em deus!

Capeta: A ideia é essa! O povo que, em vida, só acreditava vendo, vai ver depois de morto. Os que já acreditavam... não precisam ser convencidos. Fora isso, convenhamos: você, ACM, queria ir pro céu? Faz-me rir!

ACM: Quer dizer que o Fernando Henrique vai pro céu?

Capeta: Vai.

ACM: E o Lula?

Capeta: Ah, esse tá no meio de uma discussão lascada. O paraíso quer mandá-lo pra mim, mas eu não quero esse cara por aqui, não. Deve ficar por lá um bom tempo, até que se resolva o impasse. Imagina só: "nunca antes na história desse inferno..."

ACM: Espera um minuto: você disse que o Fidel vai vir pra cá, mas ele não é ateu?

Capeta: Sim, mas ele é comunista. E todo comunista vem pro inferno, acredite em mim...

- Darini

quinta-feira, 11 de junho de 2009

O "chocante" empalamento

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Dando uma olhada em reportagem da Folha de São Paulo, notei que mais um livro didático teve de ser recolhido, desta vez no Rio de Janeiro, pois seu conteúdo foi considerado "inadequado" para a faixa etária a que era destinado. O motivo? Continha uma gravura de empalamento. Mas, antes, vamos analisar morfologicamente a palavra empalamento:

Prefixo: {em} = dentro
Raiz: {pal} = instrumento de madeira ou ferro.
Sufixo: {am} = efeito da ação; {ento} = aumento

Traduzindo: é o aumento do efeito da ação de um instrumento de madeira ou ferro dentro. Ai! Isso deve doer!

Mas é isso mesmo: empalamento é aquela técnica de tortura que consiste em transpassar uma vara de madeira desde o ânus até a boca de um condenado. Várias civilizações antigas a utilizavam e, provavelmente, a figura mais ilustre a adotá-la foi o conde romeno Vlad III (nosso querido Drácula).

Entretanto, não é a isso que quero me ater. Juro que não entendo essa facilidade com que "imprensa" (mais essa, talvez) e "sociedade" ficam tão chocadas com certas coisas. Ligue a televisão, veja um filme que esteja passando às 8 ou 9 horas da noite. A probabilidade de se achar violência gratuita (entre tiros, sangue e guerras) em filmes é grande. Nem vou citar a meia-dúzia de programas sensacionalistas que mostram "a realidade". Tudo ali, ao alcance de um botão do controle-remoto. Depois, ligue na novela, mas não se assuste, se seu filho de 10-12 anos fizer algum comentário do tipo: "nossa... como eles trepam mal".

E é o empalamento que os choca! Rá, rá, rá!

- Darini

sábado, 6 de junho de 2009

MUTO

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Interessante:

http://www.blublu.org/sito/video/muto.htm

O cara faz animações em paredes "engrafitadas". É isso que devemos chamar de arte urbana.

Juro que queria ter o dom do desenho e da pintura (mal e porcamente, tenho o da escrita... e olha lá).

Vendo esse vídeo, dá pra sentir a solidão e o caos da metrópole (seja ela qual for). Muito bom.

- Darini

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Fim de férias...

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Pegar o infeliz que inventou o "dia útil", o que inventou o "horário comercial" (deve ter sido o mesmo) e enforcá-los com as próprias tripas.

- Darini

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Bill Maher

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Há tempos que venho acompanhando os vídeos desse cara, comediante da HBO (acho), ferrenho defensor da racionalidade contra o que chama de "religião organizada" (fez o documentário "Religulous"). Anti-Bush assumido, é o cara do tipo "ame ou odeie", pois coleciona simpatizantes e críticos. Um programa histórico seu foi quando ele tirou a força, de seu programa, os chamados "911 truthers", um povo que acredita que um dos prédios do WTC foi implodido deliberadamente pelo governo dos EUA:

"Bill Maher & 911 Truthers"

Faz parte do PETA, portanto é boa gente 8) . Mas, como ninguém é perfeito, ele acha que os irmãos Wright inventaram o avião:

Clique aqui - vale a pena ver, pois ele dá uma zoada com o Brasil e com o futebol.

E, aqui, ele cita o Brasil no quadro que chamava "Exit Strategy". Eram dicas de fuga caso o McCain ganhasse a eleição, morresse e a Sarah Pallin assumisse a presidência.

É um tipo de formador de opinião que, definitivamente, precisávamos ter no Brasil. Mas, conhecendo nosso povinho e a demagogia que o cerca, creio não duraria no ar nem por uma semana.

- Darini

sábado, 2 de maio de 2009

Ensaio sobre a Cegueira - Livro de José Saramago

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Em seu "Ensaio sobre a Cegueira", Saramago critica o rumo que as coisas tomaram nesta época em que vivemos. A "cegueira branca" que se alastra pela cidade, poupando apenas uma mulher, nos faz refletir sobre os problemas que, para a maioria de nós, passam despercebidos. Por quantas vezes, em nossa rotina "automatizada", não damos atenção, fazemos vistas grossas ou, simplesmente, ignoramos necessidades humanas que nos estão logo à frente? Num tempo em que tudo deve ser rápido, automático e produtivo, o ser-humano está deixando de ser humano. Estamos virando "robôs que comem e respiram". O outro? "Que eu tenho a ver com as necessidades do outro?" Essa é nossa cegueira branca.

Nessa cidade (ou mundo) que criou Saramago, todos são iguais. Não há nomes para os personagens e o modo como o autor os apresenta (através de alguma característica, profissão ou defeito) torna-os mais vivos em nossa memória. Podemos nos esquecer de vários nomes de personagens provenientes de clássicos lidos outrora, mas, com certeza, lembraremos da figura da "mulher do médico", "o velho da venda preta" e, até mesmo, do "cão das lágrimas" por muito tempo, até mesmo pelo fato de serem personagens do dia-a-dia, que podem ser encontrados em qualquer cidade real. A prostituta, o velho, o ladrão, o motorista de táxi, o menino abandonado... são eles que protagonizam o Ensaio. Não são heróis, mas pessoas marginalizadas sobre as quais o autor coloca os holofotes. Ele mostra que elas existem e que podem superar suas dificuldades, principalmente se houver uma mão amiga que os guie (mulher do médico).

A cegueira branca, de certa forma, atinge o leitor. Como pode uma jovem, às vistas da sociedade, apaixonar-se por um homem pobre, defeituoso e que não segue os padrões convencionais de beleza? Durante a leitura, não acreditamos que isso pudesse acontecer, mas o sentimento que nasce entre a rapariga de óculos e o velho da venda preta é maior do que qualquer "convenção" ou interesse superficial que possa surgir no coração humano. É algo profundo e que transcende qualquer estereótipo ou preconceito.

Pessoas do povo que se tornam mais iguais do que nunca, e têm de conviver em comunidade por tempo indeterminado aturando suas diferenças e defeitos. O governo? Este já está cego antes de tudo e de todos, pois fazem o que muitos governantes fazem: eliminam o mal, mas não sua causa. O modo desumano com que os "contaminados" são tratados realmente impressiona: tudo a eles é feito à distância. Um passo em falso, e a morte lhes era certa. O medo daqueles ditos diferentes causa uma celeuma coletiva: "teve contato com um cego? Está condenado!"

Os personagens precisam passar por uma revolução de vida para serem curados de sua cegueira. Provavelmente, é isso que José Saramago espera daqueles que lerem esta obra: quando vamos fazer nossa própria revolução de vida, e nos curar de nossa cegueira branca?

O "Ensaio sobre a Cegueira" é um ótimo livro, tanto na técnica utilizada pelo autor para escrevê-lo (parecendo um filme, tamanha a dinâmica do texto), assim como uma obra filosófica, para que pensemos no ser-humano como humano e liberto de sua cegueira coletiva.

- Darini

domingo, 26 de abril de 2009

Minha Buenos Aires querida...


Alguns lugares conseguem nos impressionar a cada nova visita. É sem dúvidas que digo isso de Buenos Aires (ou BsAs, como é chamada por lá).

Essa foto, tirei por volta de umas nove da noite, indo do centro comercial da Rua Florida até meu "hostel". O obelisco fica na Avenida 9 de Julho, a principal da cidade (e mais larga do mundo, diga-se de passagem).

À noite (principalmente), Buenos Aires respira cultura. Passando pela Avenida Corrientes, vemos teatro ao lado de teatro, livrarias e sebos abertos... isso, por volta das 10-11 horas da noite. Pessoas congestionando as ruas e as calçadas, panfletos de espetáculos e peças sendo distribuídos a cada 10 metros. Estar do lado de fora e ver essas cenas já é um espetáculo por assim dizer.

Entretanto, é sem dor nenhuma na consciência que digo não ter ido a nenhum desses eventos. Afinal, que desculpa eu teria para voltar? ;)

- Darini

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Pinga ni mim...

Que coisa... só por ter tomado uns gorós a mais, o Ministro da Fazenda japonês pediu demissão do cargo! Vejam só:

http://www.youtube.com/watch?v=NEYbs47Ze78


Se a moda pega, hein... era pro Lula nem ter pisado no planalto! :)

- Darini