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quarta-feira, 18 de maio de 2011

quinta-feira, 28 de abril de 2011

domingo, 24 de abril de 2011

domingo, 20 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

terça-feira, 9 de novembro de 2010

As Aventuras de Cantão e Carminha - O AdEvogado

***

Cantão: Olha lá, Carminha! Olha quem vem vindo!

Carminha: Mas é o filho da cunhada da irmã do Jair, não é?

Cantão: Ele mesmo!

Filho da cunhada da irmã do Jair: Oi, Seu Cantão... Dona Carminha! Tudo bem com vocês?

Cantão: Estamos bem. E você, o que tem feito?

Filho da cunhada da irmã do Jair: Ah, eu prestei o exame e agora sou adEvogado. Em breve, vou trabalhar na Comissão de Direitos Humanos da OAB.

Carminha: Ah, mas que legal! E o que você faz lá?

Filho da cunhada da irmã do Jair: Bom, ainda estou em treinamento, mas gostando muito. Faço uns cursos bem legais, como "Demagogia Avançada", "Como vitimizar ainda mais um coitadinho (módulos I, II e III)", "Técnicas de como parecer convincente na TV"... essas coisas.

Carminha: Ah, que legal. O Cantão sempre quis advogar, mas nunca conseguiu.

Filho da cunhada da irmã do Jair: Sério? Por que desistiu, Seu Cantão?

Cantão: Ah, eu me desiludi... ter que ficar caçando cliente na porta da cadeia era deprimente. Falando nisso, onde é seu ponto?

Filho da cunhada da irmã do Jair: Er... mas mudando de assunto, vocês não tem nenhuma pendência jurídica que queiram resolver? Ninguém para processar? Meu professor, Doutor Honorium Causa Data Venium, sempre diz: "Sempre podemos ganhar dinheiro às custas de outrem". Lindo isso.

Carminha: É... já que você mencionou, o Cantão andou trabalhando pra um safado aí...

Cantão: Não se meta, Carminha! Eu conto: eu andei trabalhando pra um safado aí, e ele não me pagou. Sabe como tenho que proceder?

Filho da cunhada da irmã do Jair: Fácil. Como o senhor é meu amigo, não vou cobrar nada, a não ser os custos administrativos do processo.

Cantão: Legal... quanto fica?

Filho da cunhada da irmã do Jair: Ah. Para dar entrada no processo, R$1000,00. Depois, para eu poder me locomover às audiências, mais R$580,00, pois vou de táxi. Imagina, eu, um dotô, andando de busão. Em seguinda, tem fotocópias, encadernação, alimentação... chuto alto mais uns R$400,00. Olha... com menos de 2 mil reais, inicio o caso pro senhor.


Cantão
: O QUÊ? Com 2 mil, eu compro UM JUIZ! Ainda mais que, tendo acabado as eleições, o preço do suborno deve ter abaixado bastante!

Carminha: É mais fácil o Cantão encher o safado lá de pancadas. A indenização deve sair mais em conta, rárárá!

Cantão: Sim, sim. Fora o caso de se poder meter a mão na cara daquele safado. Isso não tem preço.

Filho da cunhada da irmã do Jair: Seu Cantão, não diga isso... eu tento fazer tudo dentro da legalidade, da moralidade, da ética, da impessoalidade e da transparência.

Carminha: Com esse seu preço, é mais fácil ser ilegal, imoral, antiético, pessoal e opaco!

Filho da cunhada da irmã do Jair: Tá bom. Fechamos por R$1000,00, então? É o mais baixo que posso fazer.

Cantão: Não, não, não. Minha proposta: te pago um sanduba com refri lá no bar do Zé, e você me ajuda a encher o safado de pancadas.

Filho da cunhada da irmã do Jair: Sinto-me ofendido, data venia. Nem sei o que meu professor, Meu professor, Doutor Honorium Causa Data Venium, diria numa situação dessas. Um minuto, meu celular está tocando.

Professor Doutor Honorium Causa Data Venium: bláblábláblá... BLÁ! Cócorócocó...

Filho da cunhada da irmã do Jair: Fechado, seu Cantão. Quando começamos?

- Darini

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

As Aventuras de Cantão e Carminha

***

Outro dia, na rua, às 5 da tarde, depois de tomar meu chá, pensei em começar a escrever uma comédia de situações para me testar. Achei que seria interessante fugir dos temas Linguística / morte / dragões.

Assim, veio na cabeça um nome de personagem: Cantão. Sei que isso não é um nome comum (ou existente) de uma pessoa, mas TINHA que ser esse nome. Com ele, viria a Carminha, formando um casal "sem noção". " title="Old Mr Green">

Minha ideia é colocá-los em situações comuns, mas exagerando suas atitudes (que, creio, ser a base de toda a comédia). Algumas coisas às quais quero me prender:

- Nunca ninguém saberá qual o "tipo" desses personagens: às vezes, podem parecer caipiras; outras, seres cosmopolitas; em algumas, nenhuma dessas opções, pois o enredo não exigirá isso.

- Usarei um estilo baseado (copiado?) do Saramago para a nomenclatura dos personagens: se, pela primeira vez na história, alguém se referir a um personagem como "O filho da cunhada da Cidinha", é assim que será chamado até o final da trama.

- Por incrível que possa parecer, não usarei palavrões (palavrões fortes, vai) nas histórias.

- De modo geral, as histórias serão feitas na forma de roteiro.

Para não desvirtuar muito o meu blogue, criei este: http://cantaoecarminha.blogspot.com/

- Darini

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Cantão e Carminha - O Velório

***

Cantão e Carminha - O casal sem noção

- O Velório



Carminha: Nossa, Cantão... quem diria que o Seu coiso lá fosse morrer, né? Que tristeza...

Cantão: Verdade. Mas olha lá, Carminha... olha a filha da Valéria... como tá gorda, parece uma bola!

Carminha: Também, não faz nada da vida. Deve comer e dormir o dia inteiro.

Cantão: E a noite inteira também! Falando em comer, bem que eles podiam ter comprado alguma coisa pros convidados. Já são 3 horas de velório, e não serviram nem mesmo um café.

Viúva do Seu coiso lá: Seu Cantão, Carminha! Muito obrigada por comparecerem neste momento de dor.

Cantão: Do que seu marido morreu, Dona?

Viúva do Seu coiso lá: Foi um chá de cogumelo.

Carminha: Chá de cogumelo? Nem sabia que isso matava.

Viúva do Seu coiso lá: Quando você tá junto do cogumelo, mata sim!

Cantão: O quê? Ele era um cogumelo?

Viúva: Ele trabalhava na fábrica de chá de cogumelos. Então, quando foi carregar a trituradora, ele perdeu o equilíbrio e foi junto.

Cantão: Ai, que tristeza, dona... mas diga, ele tá todinho aí no caixão, ou chegaram a beber um pouco dele?

Viúva do Seu coiso lá: Buááááááááááááááááááá!! Beberam meu ma-ma-ma-ma-mariidooo!! Buááááááááá!!

Carminha: Pôxa, Cantão... não fala essas coisas pra viúva do Seu coiso lá, né?

Cantão: E eu tenho culpa, Carminha? E tem mais: sabe por que o Seu coiso lá caiu na trituradora?

Carminha: Não... o que foi?

Cantão: Por causa de CACHAÇA! Era um pudim de pinga!

Viúva do Seu coiso lá: Por favor, Seu Cantão! Respeite o falecido defunto já morto!

Carminha: Desculpa, dona, mas o Cantão tem razão. Passávamos noites sem dormir, porque vocês viviam brigando. Ele chegava muito do doidão em casa, e vocês quebravam o pau!

Filha da Valéria: Por favor... queiram se comportar!

Cantão: Vááááá te catar, sua popótama!

Filha da Valéria: Buáááááááááááá! Me chamou de hipopótama!

Padre: Não! Ele disse "popótama".

Filha da Valéria: Buááááááááá! Me chamou de popótama!

Padre: Bom... silêncio! Creio que podemos começar nossa oração. Irmãos, estamos aqui reunidos para celebrar a passagem do Seu coiso lá, que, tendo cumprido sua missão...

Cantão: Seu Padre, ele não cumpriu a missão, não!

Viúva do Seu coiso lá: Por favor, Cantão!

Cantão: Verdade! Ele nem terminou de carregar a trituradora! Morreu e deixou serviço pros outros!

Padre: Buáááááááááááá!

Cantão: Padre, Padre... vocês têm que aprender que não se torna santo por causa da morte.

Padre: Quando eu digo que ele cumpriu sua missão, Cantão, eu quero dizer que ele foi um bom pai, um bom marido... é isso!

Cantão: Ah, Padre... o senhor realmente não conhecia o Seu coiso lá. Como ele pode ter sido um bom pai, se colocou no mundo aquele vagabundo do filho dele?

Filho do Seu coiso lá: Buáááááááááá! Me chamou de vagabundo, mãe!

Viúva do Seu coiso lá: Que desaforo! Com que propriedade você diz isso, Seu Cantão?

Cantão: Ué... com a propriedade que me é defirida!

Carminha: É propriedade defErida, Cantão! Escreve-se com "E"!

Cantão: Ah, Carminha... você não sabe das coisas, então fica quieta aí.

********* Horas de discussão depois... *********

Carminha: Pôxa, Padre, não precisava amarrar e amordaçar o Cantão! Olha só o coitadinho, ficou até azul!

Padre: Só assim pra ele ficar quieto, não? Mas, continuando: estamos aqui reunidos para... espera! Cadê o defunto? Quem tirou o caixão daqui?

Seu coiso lá (ao longe): Fui eu, seu Padre! Cansei de esperar, e tô indo a pé pro túmulo!

- Darini