domingo, 6 de abril de 2014

Conversa de ETs

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Enquanto isso, numa nave espacial:

ETzinho: Afe, olha quanto lixo em volta da Terra!

ETzão: Terra, Terra... não lembro desse lugar.

ETzinho: É aquele em que acreditam que a maior velocidade do universo é a da luz! HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!

ETzão: Ah, lembrei, lembrei. Onde há uma puta duma estrela bem no nariz deles, mas usam água para produção de energia, né?

ETzinho: Agora foi você que me pegou. O que é água?

ETzão: Um tipo de Coca-Cola. Mas ruim.

- Darini

domingo, 5 de janeiro de 2014

Arcanjo Khanagem

Há coisa de 6 meses, criei o Arcanjo Khanagem, o responsável pelo destino pós-morte de todos os seres (não)viventes, principalmente da raça humana, sua "preferida":

http://khanagem.blogspot.com.br/


E não, isso não é humor. Nem de longe! É crítica. :)

- Darini

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Quarentão Apaixonado

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    Naquela tarde chuvosa, Jair resolveu visitar a aconchegante livraria que havia perto de sua casa. Já tendo passado dos quarenta anos há algum tempo, a ela ele devia boa parte de seu mestrado. Além disso, adorava o café que serviam; para ele, era um êxtase saborear aquele néctar enquanto lia mais um livro de algum desconhecido.
    Algumas horas se passaram, quando ele avistou uma maravilhosa jovem entrar no recinto. Deveria ter seus vinte e poucos anos, mas seu jeito era o de mulher feita. Em determinado momento, cruzam os olhares; ela sorri. Confiante, Jair se levanta e dirige-se a ela.
Jair: Olá. Desculpe, mas não pude evitar de te perceber aqui. Meu nome é Jair.
Samira: Prazer, meu nome é Samira.
Jair: Samira... você é linda!
Samira: Ah, então sua intenção é de deixar encabulada, é?
Jair: De jeito nenhum! Aceita um café?
Samira: Claro!
Jair: Desculpe por ser direto... mas você gosta de homens mais velhos?
Samira: Sim, gosto de uma certa experiência...
Jair: Sempre procurei uma boa moça... você é uma boa moça, né?
Samira (sorrindo): Ah, não acredito! Acho que sou, né!
Jair: Eu deixei o tempo passar demais. Agora, queria que ele passasse, mas com você do meu lado. O que faz da vida?
Samira: Estudo gastronomia e faço estágio num restaurante. Você sabe cozinhar?
Jair: Sim. Moro sozinho, então os anos fizeram com que eu aprendesse na marra!
Samira: Então... vai passar o tempo, e ficarei a seu lado. Simples assim?
Jair: Claro que não! Nem tudo serão flores! Mesmo com uma ou outra dificuldade, uma ou outra desavença, continuaremos juntos, porque nosso amor será mais forte. Seremos amigos, companheiros, amantes... nosso coração será um só. Nossas almas se tornarão uma só.
Samira: Ah, estou gostando. Já acabou de passar o tempo?
Jair: Não, ainda não! O tempo passa mais... e a gente adota um cachorrinho vira-latas! Pode ser?
Samira: Adoro! Eu tinha um, mas morreu há um tempo.
Jair: Então, o tempo passa, e a gente vai ver algumas fotos da sua formatura em gastronomia... na formatura, você estava linda... brilhava... aquele dia era todo seu. Eu, felicíssimo por você. "Ela chegou lá", pensava. Até lá, terei feito umas aulas de dança, só pra te levar ao baile. Os moleques da sua turma, claro, nem chegariam perto de você... eles pensariam: "poxa, olha que linda a mulher que aquele coroa pegou!"
Samira: Nossa! Mas sou péssima dançarina!
Jair: Tá bem, então. Nós dois fazemos aula!
Samira: Mas diga mais... o tempo vai passar, e...
Jair: Até que vai chegar um dia...
Samira: Um dia…
Jair: Um dia meio estranho... vamos acordar e mal falar um com o outro, mas isso não vai ser algo ruim; pelo contrário, vamos estar numa sintonia e sincronia tão grandes, que vamos conseguir nos comunicar pelo olhar... pelos gestos... de uma forma quase telepática. Naquele dia, estaremos em transe... nada mais no mundo existirá... para mim, só você; para você, só eu. Então, vamos nos beijar... juntar nossos olhares e bocas... e vou plantar uma sementinha em você...
Samira: Que lindo! Continua.
Jair: Dessa sementinha, virá um serzinho que fará este pai rabugento, estressado, ranzinza e solteirão convicto dele a pensar... pensar... sobre a vida, sobre as coisas... sobre o tudo...
Samira: Ah, então é um solteirão convicto?
Jair: Sim, mas, um dia, o destino fez com que este rabugento futuro-pai entrasse nesta livraria, assim, como não quer nada, e começasse a se apresentar para a mais bela mulher que ele já havia visto.
Samira: Seu oferecido!
Jair: Sim, mas só para você! Uma mulher que o faz querer começar a viver de novo. Assim, mesmo sem nunca terem se visto, terem ouvido a voz do outro ou terem sequer feito parte da mais remota lembrança um do outro... algo os liga...
Samira: E aí… voltamos ao começo da história?
Jair: Exatamente. E, os detalhes, caberá a nós escrever.

- Darini

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Frase do Ano...

"Acredito que o planeta Terra é um imenso, enorme reality show. E, lá longe, a bilhões e bilhões de anos-luz, há ETs morrendo de rir em seu horário nobre."

- Darini

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Análise de Morfemas


     Morfema (do grego {morf} = forma e {ema} = relativo a) é a menor parte significativa (que traz significado) de uma palavra. Neste estudo, daremos mais atenção aos seguintes morfemas:


    - Prefixos: são morfemas que vêm antes da Raiz.
    - Raízes: são o “gene” da palavra. Sua principal fonte de significado.
    - Sufixos: são os morfemas que vêm depois da Raiz.


    Exemplo: consideremos a palavra “entrada”. Ela pode ser analisada da seguinte forma:


    Prefixo: {en} = para dentro
    Raiz: {tr} = que puxa
    Sufixo: {ada} = ação

Como fazer a análise:


    Primeiramente, utilizamos a tabela de Prefixos (há várias disponíveis em sítios de Português / Linguística. Aqui, utilizo a lista da Dialética da Língua Portuguesa). Ao localizarmos {en}, somos remetidos a {in}, do qual pegamos o significado que mais se aproxima de nossa palavra:
Em seguida, verificamos que não há outro Prefixo, então passamos à tabela de Raízes, onde se vê:



Por fim, passamos à tabela dos Sufixos, onde se acha:







    Como seria natural, procuraríamos pelo Sufixo {da}, uma vez que {en} e {tra} já têm as letras correspondentes para a formação da palavra. Entretanto, a tabela não contém tal Sufixo. Isso acontece, pois há uma regra fundamental: Um Morfema começa onde o outro termina. Portanto, quando há dois Morfemas compartilhando uma mesma letra, esta será considerada como parte do último, fazendo com que {ado}, forma neutra de {ada} seja localizado, dando fim à análise.
Como se pode ver, cada Morfema tem um significado diferente, que, juntos, definem o sentido final da palavra.


    Nem todas as palavras têm, obrigatoriamente, Prefixo e Sufixo. Elas podem ter mais de um desses elementos, ou a abstenção de um ou mais deles.


    Exemplos:


Mendigo                     Antártico                          Economia


Raiz: {men} = mão     Prefixo: {ant} = oposição    Raiz: {eco}= casa
Raiz: {dig} = dizer      Raiz: {art} = urso                Raiz: {nom}= lei
Sufixo: {ico} = ação   Sufixo: {ia} = ciência



    Nos casos acima, se fôssemos “traduzir” cada palavra, teríamos:


Mendigo: (aquele que) diz com as mãos: justamente o gesto de sobrepor uma mão sobre a outra para pedir esmola.


Antártico: ação (ou resultado da ação) “oposta ao urso”, significando que o continente antártico fica no lado oposto àquele em que vivem ursos, o ártico.


Economia: Ciência das leis domésticas, considerando-se “doméstico” o meio pessoal / habitacional humano.


- Darini


Referências: Dialética da Língua Portuguesa (Alcebíades Fernandes Jr., 2006)

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Já faz tempo que eu pedi, mas...

            Ao contrário do que muita gente pensa, eu vivo. Vivo no inconsciente coletivo, mas vivo. Afinal de contas, quem disse que a existência não pode ser relativa? Quando alguém diz “para mim, Fulano morreu”, ele realmente deixa de existir?
            Faz uns anos que me tornei um alcoólatra. Nem sei mais como anda meu fígado, pois deixei de fazer exames depois da décima quinta internação. O bêbado sempre arruma uma desculpa para seu vício, pois então aqui vai a minha: talvez as responsabilidades jogadas sobre meus ombros pesavam mais do que eu pudesse carregar. Orgulhoso e egoísta, nunca pedi ajuda a ninguém, ao contrário do que muitos dizem. Jogar-se de corpo e alma a um ideal (ou a um empregador) pode ser perigoso. Letal. Fatal.
            Fui deixado por minha esposa; não tivemos filhos. Talvez tenha sido por isso que me fazia tão bem me sentir pai de alguém, mesmo que por alguns momentos da vida. De alguma forma, quanto mais forte o sentimento de paternidade em meu coração, maior era minha vontade de viver. Era minha sustância. E, como pai, a única coisa que pedia em troca era um pouquinho de harmonia e respeito entre meus “filhos”. Não deu muito certo.
            Lá fora, o frio é intenso, provavelmente reflexo de meu estado de espírito. Não consigo ver vida ou alegria; pelo contrário, apenas o eterno branco da neve derramada como as lágrimas do pranto da solitária princesa que perdeu seu amado cavaleiro em combate. Pura branquidão cegante de Saramago.
            Começo a ter alucinações... ao longe, vejo um terremoto arrasando uma cidade que, até então, nunca havia passado por esse mal. Cada edifício se rende às tremidas do chão: o branco cai depois daquela linda torre, que cai antes do prédio revestido de espelhos, que brilhava como um sol enraizado no solo. Pessoas correm e se desesperam. A maioria padece.
            Sinto-me impotente e entristecido diante tamanha destruição. Entretanto, não me sinto culpado ou responsável por isso. Sei que não sou um assassino, tampouco um sádico que vislumbra o sofrimento alheio. Sou apenas um velho solitário que nada pode contra a natureza humana. Por outro lado, estou certo de que minha missão foi plenamente cumprida e que não sou um frustrado.
            Vou embora, mas não de suas mentes. Quero estar presente em seus pesadelos, em suas lamentações. Em suas mais nostálgicas lembranças. Quero ser parte da saudade mais dolorida de suas mentes e corações. Quero ser intrínseco à angústia que vocês sentirem. Serei a lágrima mais pesarosa que vocês e seus filhos hão de chorar.

                                                                                             
                                                                            Papai Noel
 - Darini

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Regência Verbal




quinta-feira, 5 de julho de 2012

O Último conto de "Cantão e Carminha"

É o fim da saga:

http://cantaoecarminha.blogspot.com.br/2012/07/o-ultimo-sorriso.html

Quem quiser, pode comprar a versão impressa:

http://www.clubedeautores.com.br/book/127749--As_Aventuras_de_Cantao_e_Carminha

- Darini

sábado, 5 de novembro de 2011

Ler Poemas pode ser complicado

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O maior problema que o povo em geral tem ao ler poemas é "esquecer" o verso anterior ao ler o próximo, sendo que, em boa parte das vezes, os versos podem ser lidos como prosa.

O esquema básico para ler QUALQUER poema é identificar:

- onde seriam colocadas as conjunções / conectivos em geral (se não houver) entre os versos;
- identificar prováveis inversões (fuga do esquema sujeito => verbo => complemento);
- "traduzir" as prováveis figuras de linguagem;
- já saber (ou pesquisar) elementos históricos e/ou mitológicos, como na Divina Comédia ou Os Lusíadas. No caso deste, temos:

Os Lusíadas escreveu:
As armas e os barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca dantes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram


Esses 8 versos, acredite você, tem apenas um sujeito: "As armas e os barões assinalados". Ou seja, os complementos estarão (quase que) obrigatoriamente relacionados a ele. Então:

As armas e os barões assinalados passaram além da Taprobana.
As armas e os barões assinalados edificaram.
As armas e os barões assinalados tanto sublimaram.

NESSE CASO, o resto vai ser complemento: advérbios e objetos. Poderíamos, claro, colocar na ordem direta:

As armas e os barões assinalados passaram, da Ocidental praia Lusitana, por mares nunca dantes navegados, ainda além da Taprobana. Esforçados em perigos e guerras, edificaram, mais do que prometia a força humana, e entre gente remota, um novo reino, que tanto sublimaram.

Viram só?

- Darini

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Acordo Ortográfico: Matando Pulga com Canhão

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Não sei por que há tanta discussão e preocupação, por parte da mídia e "escolares", com o Novo Acordo Ortográfico. Da forma como a coisa é colocada, dá-me a impressão de que ele é a salvação do ensino da Língua Portuguesa no Brasil, o que, claro, não é verdade.

O tempo gasto na (estúpida e inútil) discussão do "co-herdeiro" ou "coerdeiro" poderia ser muito mais bem utilizado (e NÃO "melhor" utilizado) em dois temas básicos para um melhor entendimento da Língua: Sintaxe e Semântica.

Sim, meus caros dois leitores: mandar aluno decorar listas e mais listas de palavras nada mais é do que emburrecê-lo, pois é através da Semântica e Sintaxe que ele entenderá a lógica da Língua, as nuances do discurso conotativo e denotativo, as engrenagens que formam a máquina da Língua.

De que adianta saber se é co-axial ou coaxial, se ele não tem ideia do que isso significa? Não se pode dizer que um medíocre (não por própria culpa) escrevendo da forma ortográfica padronizada "sabe mais Português" do que um bom articulador de estruturas linguísticas que, por ventura, venha a desconhecer partes do acordo (ou todo ele).

Sabe aquele contrato cheio de ciladas nas entrelinhas escrito por aquele advogado sanguessuga? A missão do professor é tentar fazer seus pupilos entenderem justamente isso. Da mesma forma, deveriam saber identificar um texto jornalístico malicioso. Ao ler, devem perguntar: "Para que lado o autor quer me levar? Do que quer me convencer?"

É um trabalho difícil, árduo. O Professor de Português deveria trabalhar como um desalienador social, um terror para os políticos! Mas o que fazer, quando o próprio professor teve uma educação primária precária e uma educação superior ineficiente? (parte da) Solução: o ensino reforçado de Semântica e Sintaxe, já que, pela primeira, o aluno entrará em contato com os sentidos das palavras na Língua. Verá, sobretudo, casos em que o uso conotativo de um termo é tão sutil, que o leitor desavisado poderá entendê-lo como oposto àquilo que o autor quis dizer. Na segunda, ele estudará as relações entre Sintagmas.

Numa fala sutil ou irônica, qual o real "lado" do autor? É uma crítica ou elogio ao assunto de análise? Há elementos anafóricos ou catafóricos que ajudam (ou atrapalham) no resgate das ideias e elementos? Os elementos de ligação (conjunções) estão bem empregados?

A educação deve, sim, dar menos importância ao "acento que caiu", como parece estar fazendo a mídia Portuguesa, que insiste em escrever "acção", "objecto" etc. Deveríamos estudar a nova ortografia apenas como apoio, não como item principal. Claro, tudo isso deve ser aquele pequeno (mas importante) percentual de tudo o que deve ser mudado na educação brasileira. Deve-se acabar com o pensamento do "cai no vestibular" (que serve para que, mesmo?), mandando por terra a máfia cursinhos x ENEM x faculdades "de nome" (não existe faculdade boa. Existe faculdade de nome).

Onde trabalho, tive a chance de ministrar um curso chamado "Práticas para um uso competente da Língua Portuguesa", cujo público-alvo eram pessoas da faixa de 40-50 anos. Embora o nome seja pomposo, ele nada mais é do que uma mistura (divertida, até) de Gramática e Técnicas de Redação. Pela idade, todos passaram pelo que chamam de ensino "tradicional", aquele que diz, para o terror das pedagogas, "o professor transmite conhecimento para o aluno".

O mais interessante foi notar que as dificuldades encontradas por eles não seriam muito diferentes daquelas que teriam alunos formados por outros currículos. Parte disso ocorreu, porque muitos já não tinham contato com as "coisas da Língua" há muito tempo. Mesmo assim, a turma me surpreendeu positivamente, já que, realmente, relembrar os conceitos de Regências, Concordâncias e afins pode ser um pouco... chato. Justamente por isso é importante uma base escolar forte: o tijolo (another brick in the wall?) colocado lá atrás é que dará sustentação ao prédio (conhecimento) montado hoje.


- Darini

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Meu e-mail para a Folha de São Paulo

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Tempos atrás, escrevi sobre o inadequado uso da expressão "recomendo(amos) fortemente" (clique aqui para ler). Qual é minha surpresa, quando me deparo com mais um uso dessa forma em um dos "jornalões" - A Folha de São Paulo. Na reportagem "Steve Jobs renuncia à presidência da Apple", lê-se:

"Quanto ao meu sucessor, recomendo fortemente que executemos nosso plano de sucessão com a nomeação de Tim Cook como presidente-executivo da Apple."

Mandei, então, uma mensagem para eles, como segue abaixo:

Há realmente a necessidade de traduzir o "strongly recommend" como "recomendo fortemente", expressão que não existe em Português?

Posso mandar meu currículo para análise? Pelo que escrevem aí, estão "precisando fortemente" de redatores / revisores de texto.
Então... será que mudo de emprego?

- Darini

domingo, 31 de julho de 2011

Os cães não deixavam passar

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Naquele dia, os cães ladravam mais do que o normal
Chovia demais e os trovões torturavam os tímpanos de todas as criaturas
Do nada, todos começaram a correr... corriam, corriam...

Os cães pareciam liderar os demais grupos
Fugiam de quê? Nem eles sabiam
Mas os cães lideravam

Horas, muitas horas depois
Pareciam ter chegado a seu destino
Como não diferente, os cães decidiam quem deveria entrar

Muitos humanos ficaram de fora... para falar a verdade, a maioria deles
Cães, pobres cães, só podiam deixar entrar aqueles que tivessem a virtude
E os humanos não a tinham

Os ferozes leões a tinham
As venenosas cobras, aranhas e escorpiões também
Os elefantes, as capivaras e as raposas tinham, bem como seus primos lobos

Menos os humanos
Malditos, ficavam quase todos do lado de fora
Não ousavam entrar... não mesmo

Os cães é quem decidiam
Impediam, mesmo que fossem velhos inválidos, grávidas ou inocentes crianças
Os cães não deixavam

Os cães viam e sentiam
Por isso, se necessário fosse
Não os deixavam passar

Eles sentiam a virtude
Ou a falta dela
Quem merecia entrar entrava

Humano nenhum ousava burlar a regra
Pois, se o fizesse, era morte certa
Pois os cães não deixavam

A fila diminuía, ao passo que a procissão de humanos...
Ah, humanos malditos
Eles, os cães não deixavam passar

A procissão de humanos errantes aumentava
Iam pra todos os lados, exceto em linha reta
Pois os cães não os deixavam

A chuva caía... os trovões ficavam mais fortes... mais tenebrosos
E os humanos... erravam por itinerários errantes
Será que passarei? Será que passarei?

Os cães... ah, os cães...
Livravam-se de seu câncer
Os cães não deixavam passar...

- Darini

quarta-feira, 18 de maio de 2011

quinta-feira, 28 de abril de 2011

domingo, 24 de abril de 2011